pela primeira vez desde que me fui embora para o dubai, estou sozinha em casa em lisboa. acho que há bastante tempo que não estava aqui sem ninguém, muito menos sem a ana. ontem à noite custou-me imenso e bateu um ataque de saudades de quando vivíamos juntas. foram dos melhores dois anos da minha vida e praticamente não tivemos dias em que não nos divertíssemos, mesmo que por pouco tempo. passou a correr e as memórias que me assombram agora respiram nestas paredes. custa-me pensar numa realidade que já foi há quase dois anos. e agora estou aqui. a limpar a casa sozinha e a olhar para as prateleiras e armários semi vazios a gritarem "onde é que está a ana?". o bom da coisa é que estamos as duas felizes, bem e com sentimento mútuo em relação ao tempo que vivíamos juntas. disse-lhe ontem e digo agora, são alturas que ninguém nos tira e termos partilhado esta casa foi das melhoras coisas que me podia ter acontecido. definitely.
Mostrar mensagens com a etiqueta home is wherever you are. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta home is wherever you are. Mostrar todas as mensagens
quinta-feira, 4 de julho de 2013
sábado, 15 de junho de 2013
ser casa
pois é. parece que já estou em portugal há uma semana e dois dias. há um misto de sensações que me invade todos os dias sobre estar cá ou lá. até agora tem-me parecido sempre bem. apesar de ainda me estar a habituar às novas rotinas, a uma outra vida, a retornar a casa dos pais e, de certa forma, a retomar amizades. porque por muito que queiramos, as coisas mudam e principalmente a forma como lidamos com as pessoas e como elas lidam connosco. sinto uma certa distância das pessoas com quem me costumava dar. só há uma ou outra que não noto diferença. de qualquer forma não podia estar mais feliz de estar em casa. tenho tido tempo para descansar, trabalhar, aproveitar. já fiz uma arrumação de cima abaixo ao meu quarto, depois de ler e ver sites de decoração tinha uma ideia bastante fixa do que queria e é trabalho em progresso mas o pior já passou. deitar fora e dar coisas. ontem tive o meu primeiro banho no atlântico em 2013 e hoje passei a tarde na praia com a minha mãe. não sei se deva investir em certas relações. ainda não percebi se valem a pena "reatar" ou não. como escrevi, é difícil voltar a velhos hábitos e apesar de nem sempre considerarmos isso, também as outras pessoas mudam. quero levar as coisas com calma. até porque não me tenho sentido com pedalada para muito. chego a uma certa hora e fico cheia de sono. casa é sempre casa e eu amo a minha.
segunda-feira, 20 de maio de 2013
esperanças adiadas
em portugal, agora, temos de nos habituar à ideia de que muitas pessoas, principalmente jovens, estão/vão sair do país. a emigração tornou-se uma resposta mesmo para os mais amedrontados. a geração a que eu pertenço vê-se praticamente obrigada a ir procurar uma vida lá fora. é bastante frustrante, triste e assustador ser-se quase forçado a fazer isso. há quem tenha sorte e consiga um trabalho, há quem procure e não consiga encontrar e há, provavelmente, quem não se esforce porque acha que está bem assim ou que não vai encontrar. eu tentei só um mês, o que não está perto de suficiente mas deu uma pequena ideia de como as coisas estão por lá. fico bastante chateada com isso. é verdade que nos obriga a dar um salto que em determinadas condições poderíamos não dar. obriga-nos a ser fortes e enfrentar o desconhecido, aprendemos a procurar aquilo que é melhor para nós. ganhamos experiência, aventuramo-nos, crescemos e ficamos com histórias para contar. já disse várias vezes que sozinha não sei se era capaz de fazer e, se o fizesse, ia para muito mais perto. agora que este capítulo chega ao fim espero ansiosamente pelo próximo. a coragem que tive para fazer a primeira vez dividiu-se por dois e agora estou mais tranquila porque sei mais ou menos o que me espera. não tenho a certeza para onde vou, mas vou com a certeza de que é sempre para melhor. mesmo que soframos, que choremos há sempre coisas boas e positivas a recolher. criamos laços, relações, memórias. mas acima de tudo, aprendemos a cuidar de nós, a ser independentes, a perceber o que é o mundo e quem nele é importante. e há imensas pessoas a fazer isso. conheço meninos e meninas de todas as nacionalidades possíveis a procurarem uma vida melhor que a que o próprio país lhes pode proporcionar. mas uma coisa é certa, uma grande parte sai de coração quebrado e esperanças adiadas. e um desabafo; gostava de poder viver e trabalhar em casa.
domingo, 5 de maio de 2013
start spreading the news
à partida quando tomamos alguma grande decisão esperamos certas reacções de determinadas pessoas. verdade, estou sempre a dizer que nunca elevo as minhas expectativas em relação a nada mas também tenho os meus dias expectante. quando comuniquei a minha decisão achei que certas reacções iam ser diferentes. esperava mais, um bocado mais. estou desejosa de contar mas não quero más energias e mau karma só porque há pessoas que não têm bom coração. tem sido uma montanha russa de emoções e todos os dias a minha opinião é diferente. aqueles em que estou assustada são os piores. tenho muito medo de mudanças e novas introduções na vida, o que me deixa sempre de pé atrás. lembro-me de decidir vir para o dubai praticamente sem pensar. e dessa forma quase não temos tempo de nos arrepender. as coisas acontecem sem darmos por elas e senti-mo-nos impotentes perante tanta coragem. como já disse, tenho sorte em ter alguém com muita mais coragem que eu. para além de ter um par de tomates naturalmente, tem-nos subjectivamente. isso incentiva-me a procurar sempre mais e melhor. e também em conversa com a rebeca no outro dia, a falar de boas vibrações e que temos é de nos sentir bem, não podia concordar mais. se não nos sentirmos bem de que é que vale a pena? se não estamos felizes porquê continuar? tudo isto vale a pena porque devemos fazer tudo ao nosso alcance para ser felizes. há quem tenha mais oportunidades, há quem tenha menos. o que interessa é fazer funcionar. fazer resultar. estou a entrar numa fase positiva da minha vida, apesar das mudanças. e quero contar com todos à minha volta para seguir em frente!
segunda-feira, 29 de abril de 2013
concrete jungle
dizem-nos que estamos na altura de tomar grandes decisões, fazes grandes mudanças, rebelar-nos, endoidecermos, crescermos, aprendermos, viajarmos. todas e estas coisas parecem comprimidas entre uma certa idade. verdade que quando somos mais novos a vontade é maior, há menos coisas que nos prendem ao sítio onde estamos, menos responsabilidades e a segurança de que podemos sempre regressar a casa. pois eu quero pôr isso em prática e muito mais. quero aventurar-me porque tenho oportunidade, e alguém que o faça comigo, quero correr riscos e arriscar, quero experimentar e endoidecer. encontrei a pessoa mais que certa para seguir comigo caminhos que sozinha não seguiria. o manel é tão ou mais passado que eu e tendo tido uma vida bastante agitada, sempre de um lado para o outro do globo, acompanha o meu pensamento e a minha meia vontade. desenganem-se, porque voltar a casa soa sempre, mas sempre, muito melhor. mas o desconhecido que assusta e me deixa ansiosa compensa mais a longo prazo. na altura de tomar certas decisões não posso pensar que vou ter saudades ou que vai ser difícil. tenho de pensar no que vou ganhar com isso. não, não gosto de viver no dubai, mas já tenho uma experiência de vida all the way to middle east. há mais destinos e trabalhos e pessoas que se seguem e só para que saibam, não paro por aqui. ou então sou eu que tenho de saber e mentalizar.
quarta-feira, 24 de abril de 2013
(girl)friends will always be (girl) friends
depois de dar uma vista de olhos na minha lista de blogs, um deles tinha este link. achei um texto bem adequado. o inglês não é o melhor, mas é bem perceptível. a autora é casada com o famoso scott schuman, que podem encontrar aqui. fala da amizade e das várias formas que uma verdadeira amizade deve tomar. o meu texto é completamente cópia mas achei engraçado pegar nuns pontos e dar também o meu ponto de vista.
1. com uma boa amiga nunca é preciso ter planos concretos.
verdade! podemos só encontrar-nos sem saber o que vamos fazer. vou aí ter e já decidimos. não é preciso ter grandes planos, grandes saídas, grandes aparatos. é só preciso estar.
2. uma boa amiga não julga mas sabe dizer quando não gosta de alguma coisa, atitude ou material.
podemos apoiar e não gostar, mas dizer que não gostamos. não pressionar, no sentido de fazer sentir mal, mas fazer saber a nossa opinião. saber dizer quando está a exagerar numa situação onde não precisa de exagerar. saber acalmar e fazer rir.
3. uma boa amiga não se atira a um ex, não se atira ao corrente, não rouba amigos.
ultimamente aconteceu-me muito e, por isso, tenho para mim que não tenho bons amigos aqui. tenho-os em casa. em lagos. em lisboa. um bom amigo aceita-nos e ao nosso namorado. abraça-o mas não o aperta. em relação aos ex's há uma linha ténue. não tenho bem opinião definida.
4. as melhores coisas fazem-se com amigas a quem não temos nada a provar.
e está dito.
5. uma verdadeira amiga sabe admitir-nos quando temos peso a mais, quando estamos bem numa foto, quando uma peça de roupa não nos fica bem, quando exageramos em relação ao nosso namorado.
já fiz todas elas e várias vezes. gosto que me digam se não estou bem e gosto de dizer porque prova que o grau de confiança que temos com uma pessoa é suficientemente confortável para fazer esses comentários.
6. algumas amizades acabam mas não quer dizer que ainda hoje não tenham significado.
aconteceram e fazem parte de nós. não as devemos tentar apagar porque um dia significaram o mundo. devemos tentar apreciar e perceber o que correu mal.
7. problemas que podem acabar com amizades: inveja, dinheiro e/ou distância.
a inveja é uma coisa feia. podemos ter um ciúme saudável de aspirar a ter parecenças com uma amiga - e acontece muito com a proximidade tornar-nos parecidas - mas não uma inveja constante. faz-nos mal e nunca nos sentiremos bem. dinheiro. pagar alguma coisa de vez em quando não faz mal a ninguém. oferecer um jantar sem esperar outro de volta. um convite, uma flor, um postal. não podemos cair no exagero de ser sempre o outro ou só nós. deve existir um certo balanço para não criar frustração numa das partes. a distância estou a experienciar. não é fácil. é bem amarga. mas saber que há coisas que não mudam quando estou com certas pessoas faz, numa perspectiva distorcida, valer a pena. e elas sabem quem são.
8. numa verdadeira amizade não existem silêncios desconfortáveis.
só existem silêncios.
saudades das minhas amigas. penso em vocês todos os dias. todos os dias mesmo.
sábado, 13 de abril de 2013
passou rápido, só pode querer dizer que foi bom.
é uma estucha combinar turismo com trabalho. ir para a cama tarde, acordar cedíssimo, não fazer neneca. adoro ter visitas, mas tudo o que tem o seu lado bom tem o cansativo. a minha mary veio visitar-me. foi a primeira das amigas. soube-me a mel tê-la cá. e o melhor foi perceber que, mesmo não estando com ela há mais de um ano, as coisas continuam exactamente iguais. a forma de falar, estar, conviver. o que só me deixa feliz. acabou hoje bem cedo a semana de visita. chegou domingo passado e arredou pé hoje de manhã. conseguimos fazer imensas coisas e tudo quanto eu queria. fomos à happy hour da palmeira, à praia, ver um jogo do barça, ao cirque du soir e ao cavali, às souqs, à piscina e ao deserto. o que ela mais gostou foi a parte antiga, que pessoalmente é a que mais gosto também. deixou-me com saudades de casa e o coração não deixou de apertar no momento da despedida. que só apertou ainda mais porque apanhamos uma multa por não estacionar no sítio onde devíamos. obrigada pela visita, pela companhia e pela amizade.
terça-feira, 26 de março de 2013
zen state of mind
em conversa com um amigo falámos da minha estadia aqui. ele perguntou-me se eu era feliz, pergunta só antes feita pelo meu pai. disse-lhe que por enquanto sim. até contrário mantenho-me cá mas não quero prolongar demasiado a estadia. ele respondeu-me que o dubai só mesmo para férias e eu "nem isso". só sei que é um sítio de passagem para outro melhor. e ele gostou da minha perspectiva. no fundo, foi a maneira que arranjei de encarar o facto de estar aqui porque, quer queira, quer não, a minha vida é cá. a minha casa, as minhas coisas, o meu trabalho e o meu namorado estão aqui. e só cabe a mim tentar ser feliz nela. claro que isto é a versão idílica. há sempre dois lados de uma moeda. de qualquer forma, o meu melhor amigo está aqui e enquanto assim o for, a minha presença não é desnecessária.
só meu de aproveitar
ontem tive um dia meio bizarro. começou cedo com o meu trabalho, que acabou às 13h30. em pressa de ainda ver o manel, que supostamente não nos íamos ver até à noite, saí a correr para apanhar o metro e ainda dar um beijinho. depois de almoço sentei-me a olhar para um trabalho que tenho de fazer e nada. pus-me a ver um filme - marley & me - quando o manel voltou porque "estava a chover e os courts estavam molhados". ficámos em modo romance, falei com a minha mãe e fizemos panquecas. depois passamos para o modo loucura e decidimos rapar o cabelo, ao manel. a máquina explodiu nas minhas mãos uma nuca depois. de boné e trapos, fomos ao dubai mall, numa tentativa rápida de remediar a situação e comprar uma máquina nova. demorámos mais que o esperado porque são férias aqui à volta dos emirados e o dubai mall fica inundado de gente. rebentámos com as fichas do quarto portanto tivemos de acabar o serviço na sala. com a casa cheia de cabelos, a mesa fora do sítio, toalhas e secadores espalhados, tomamos banho, demos um beijinho e fomos dormir. fiquei com a sensação de um dia bem partilhado. que estávamos a precisar. que nos faz bem. porque ele me faz bem. e cada vez que olho para aqueles olhinhos azuis me apercebo no quão apaixonada sou. que não é necessariamente bom porque acabamos por ficar loucas. mas sou. irremediavelmente. e não gosto de o partilhar. gosto que ele seja só meu de aproveitar. ele apetece-me e faz-me apetecer todos os dias mais. e alguns menos, mas isso é outra conversa.
terça-feira, 19 de março de 2013
saudades da minha gente
tenho saudades da minha gente. chegando cedo ao trabalho, ponho-me a ver e rever mensagens no facebook que remontam a 2009, quando o criei. constantes frases fofas, posts, pokes e sei lá mais o quê. tenho saudades de estar em portugal e de conviver com os meus amigos. não estar sempre expectante a pensar se se lembram de mim, se ainda gostam de mim. de saber só. de estar lá e saber. de participar nos momentos e fazer parte das memórias. estando longe perde-se a magia do que é realmente ter amigos. tenho amigos aqui mas nunca é a mesma coisa. e quando estou em portugal só me apetece estar com eles e fico com nervoso miúdo na barriga na ansiedade de os ver. acho que eles não sabem disso, mas é verdade. aquela sensação de que os vou abraçar, conversar, contar novidades. é boa. mas nada bate a sensação de liberdade de poder sair de casa e ir ter com a rebeca. telefonar grátis à inês. sair no bairro com a sónia. curtir um passeio com a loira. cozinhar com a ana. ir ao urban com o afonso. apanhar bebedeiras com a susana. passear na praia com a wasanthi. almoçar na croissantaria com a relva. festas nos anjos. ficava aqui o resto da manhã a debitar as saudades que tenho. estar longe é muito difícil e nunca ninguém nos prepara para isto. os meus amigos são casa para mim, conforto, amor, partilha. e não há um dia que passe que não pense em pelo menos um deles.
domingo, 10 de março de 2013
tire uma senha
esta última semana foi bastante engraçada. tive de visita um grande amigo que não via há mais de um ano. teve duas semanas de férias e a primeira passou-a comigo. posso dizer-vos que é bastante complicado gerir a minha vida quando está cá alguém a visitar. entre vir trabalhar de manhã e trabalhar à tarde acabo sempre por ficar podre de cansada. não deu para fazermos tudo mas acho que o mais importante era estarmos juntos e aproveitarmos a companhia um do outro. visitámos, fizemos praia, jacuzzi, fins de tarde na piscina, ginásio, noite, almoços e jantares. deu para praticamente tudo! o ano passado praticamente não tivemos visitas e este ano é oficialmente o ano delas. já veio o meu pai, o gonçalo, o pedro, para a semana vem outro pedro e em abril está prevista a mary! tenho de aproveitar as próximas semanas para me organizar, trabalhar bem, descansar que no final de março começa outra vez o volta volta. a sofia também vai ter visitas e já requisitou a minha companhia para algumas das actividades. vamos ver para que é que o tempo e o dinheiro dão. para mim o pior nem é a gestão do tempo mas os gastos. eu e o manel não ganhamos o suficiente para todos os meses ter cá alguém — infelizmente. mas olha, vamo-nos aguentando. agora é aproveitar os momentos a dois, cada vez mais escassos, que vamos tendo. à medida que este ano tem passado (nem acredito que já vamos em março) temos tido menos e menos tempo de qualidade. sim, dormimos juntos, mas quando dormimos não há interacção. aprender a, também, gerir esta lista de actividades não se tem mostrado fácil.
venha a próxima. também estou à vossa espera :)
venha a próxima. também estou à vossa espera :)
domingo, 17 de fevereiro de 2013
love actually
quinta-feira, no aeroporto internacional do dubai, esperava eu ansiosamente pelo meu pai. aproximadamente uma hora e qualquer coisa e foi tempo suficiente para observar as pessoas que chegavam e as várias reacções que o ser humano tem a essa situação. há sempre os que abraçam e esbracejam até não haver amanhã. é sempre engraçado ouvir os berrinhos e ver os abracinhos - apesar de que, no dubai as coisas são mais contidas. não há cá saltos para o colo. vi um casal de indianos, onde chegou a rapariga, que praticamente não se tocaram mas o contentamento era evidente nos olhos, na expressão e nos sorrisos de orelha a orelha. vi-os um bocado depois de mãos dadas. as mães que chegaram eram maioritariamente indianas e as manifestações acabaram por não ser muito a olho vivo. há os que chegam sem ninguém à espera mas percebem-se os olhares investigadores por alguma cara conhecida. depois há a minha reacção. sinto uma necessidade de ir a correr ter com a pessoa que me está a chegar. há dois anos as incursões ao aeroporto eram demasiado comuns e as saudades sempre tantas que era impossível não dar o pulinho e saltar para o colinho. o meu pai já não me consegue pegar ao colo mas deu para um mega abraço.
as partidas são sempre com aguaceiros. normalmente de manhã, fica logo o meu dia mais nublado e tristonho. ver qualquer pessoa querida a partir custa. ainda mais quando vão voltar para casa. para a minha casa. portanto hoje esperam-se momentos de suspiros profundos e olhares apáticos.
as partidas são sempre com aguaceiros. normalmente de manhã, fica logo o meu dia mais nublado e tristonho. ver qualquer pessoa querida a partir custa. ainda mais quando vão voltar para casa. para a minha casa. portanto hoje esperam-se momentos de suspiros profundos e olhares apáticos.
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013
penso em ti todos os dias*
há um ano atrás acordei por volta das 9h30 com o meu telemóvel a vibrar para uma das piores notícias da minha vida. a minha avó tinha morrido durante aquela noite. instantaneamente comecei a negar, chorar e gritar. estava a dormir em casa do manel, em lisboa, e não queria acreditar que aquilo tinha acontecido. dias antes tinha decidido vir para o dubai e a minha avó era das poucas pessoas a quem eu queria contar e partilhar um novo começo na minha vida. o dia foi passado entre choros e decisões. duas primas suecas iam apanhar o voo e eu e o meu primo ficámos encarregues de esperar por elas para depois seguirmos caminho para lagos. elas chegaram bastante tarde e fui eu a conduzir. chegamos por volta das 2 e meia e fomos a correr a casa do meu avô, que mora à minha frente. pela primeira vez na minha vida vi o rochedo que é o meu avô cair aos pedacinhos. começou a chorar compulsivamente à nossa frente a dizer "perdi a minha menina". nunca nada foi tão doloroso como aquilo. ver o meu avô a chorar e pensar que nunca mais ia ver a minha avó. quase não dormi nessa noite e os dois dias seguintes foram passados na capela, ao lado dela, a relembrar todos os bons momentos que partilhámos. netos, filhos e marido receberam visitas e visitas e condolências e condolências. foi a primeira vez que fui capaz de estar na capela e ficar ao lado de alguém num caixão. não conseguia admitir que a minha avó tinha morrido. no dia do funeral não me contive e quem chorava sem parar era eu. como é que é possível estar num sítio onde a minha avó não está. durante todo este ano uma parte de mim esteve (e continua) constantemente com ela. tenho ataques de choro repentinos e quando vou a portugal tenho um segundo de pensamento onde ainda acho que a vou ver. a morte é sempre uma questão difícil de aceitar. ainda hoje, passado um ano, tenho dificuldade e acho que nunca vou deixar de ter.
domingo, 6 de janeiro de 2013
life in the middle east #18
a ressaca das férias, de casa, dos pais e do cão começa agora a tornar-se mais suportável. finalmente tive dois dias que me fazem sentir em casa. ontem prestámos uma visita ao IKEA para gastar algum dinheiro de natal especificamente orientado para objectos domésticos. complementado com um almoço de almôndegas suecas, riso, namorado e amiga, a combinação foi explosiva. entre cusquices e parvoíces jantámos entre amigos e jogámos ao famoso ring of fire. preparação imbatível e meio caminho andado para o famoso rockbottom. entre danças, bilhar e meia cerveja, acabamos a noite em semi after party. quatro elementos aqui em casa, incluindo eu e o manel, com direito à vista da piscina, um eu nunca e mais parvoíce. o dia de hoje posso garantir que foi nulo. não fizemos nada. continuado aqui em casa, os mesmos quatro, a dizer baboseira atrás de baboseira, a semi ressacar. a tarde acabou com uma reunião de trabalho - alguma coisa tinha de fazer para não me sentir mal - e uns óptimos reforços e incentivos direccionados ao meu profissionalismo. acho que gostamos todos quando as coisas correm bem, ou pelo menos começam.
sexta-feira, 14 de dezembro de 2012
home is wherever we feel good*
dez agitados dias passaram desde a última vez que eu escrevi. já estou em terras lusas a aproveitar o conforto e calor da casinha dos meus pais. têm sido dias óptimos e relaxantes e preenchidos de algo que já não sentia há algum tempo. estar em casa é óptimo. principalmente quando vivemos bem longe e num ambiente totalmente oposto a este. mais a mais com o espírito natalício a inundar as ruas e as pessoas.
sábado, 1 de dezembro de 2012
not soon enough
e num registo mais do meu agrado, faltam 5 diazinhos para eu ir a casa. o nervoso do avião já me assombra todas as noites e a excitação de ir ver os meus fofos todos ainda mais. há quase 4 meses que estou cá e, parecendo que não, o tempo passou rápido. nem acredito no quanto já aconteceu desde que eu cheguei daquela semaninha de férias em lagos. fui despedida, comecei a trabalhar como freelance, comecei a fazer planos para abrir a minha agência, conheci pessoas que tenho a certeza vão ficar na minha vida para sempre, passei etapas complicadas e fáceis na minha relação. enfim. podia ficar aqui o resto do dia a descrever. e do nada, já estou quase a voltar. e para o frio! já tenho saudades de usar roupa de inverno. cachecóis, casacos, blusas de malha, botas! e principalmente de estar com os meus pais, em casa, a ver filmes em frente à lareira. e depois.. vem o natal!
domingo, 25 de novembro de 2012
en route
há uns posts atrás, a fofa da ana comentou que me via, e ao manel, a viver em nova iorque. pois posso garantir que com todas as minhas forças também me via lá. não é um pensamento difícil de suportar e pretendo torná-lo realidade. mas não já. ainda me quero ambientar ao dubai, fazer e juntar dinheiro e garantir que a minha reputação sai imune daqui. tenho esperanças e vários sonhos que aterram em JFK. já pensei nisso várias vezes e já fiz muita pesquisa de pequenas agências que lá existem. mas é tramado porque os estados unidos não deixam estrangeiros entrar - para ficar - sem um trabalho garantido, ergo visto de residência, ou visa, e antes de eu ser aceite, procuram num raio de não sei quantos kilómetros se há algum americano com as competências iguais ou melhores que as minhas. o manel é a favor desse factor visto que promove a mão-de-obra nacional. quem vem de fora e quer entrar já não gosta tanto do assunto. e viver na américa para mim era ideal. poder explorar aquele continente cheio de selvas, desertos, montanhas e metrópoles. sempre disse que quando for para aquele lado é para ficar o tempo suficiente de o ver. de norte a sul, este a oeste. principalmente para fazer a famosa route 66.
partilhar isto com alguém parecia mentira mas qualquer dia tinha de ser.
partilhar isto com alguém parecia mentira mas qualquer dia tinha de ser.
retirada daqui.
sábado, 17 de novembro de 2012
i'm running to you
os dias têm passado a correr e a situação está cada vez mais intensa. aqui vive-se de pouco agora. as propostas estagnaram mas a procura continua. têm altos e baixos este mercado. ou me vejo com tudo ou sem nada. com muito tempo nas mãos ou pouco para me dar. tenho pensado bastante e, principalmente no meu dia de anos, nas saudades que tenho de casa. e dias depois tive uma vontade enorme de voltar. estar com o meu pai, com a minha mãe. quando estamos longe - e já referi isso várias vezes - qualquer evento se intensifica com a falta de quem mais queremos. foi o primeiro aniversário que passei sem o meu pai. sem o abracinho de parabéns e um "não acredito que já tens 24". ter isso por skype não é, nem de perto, a mesma coisa. e quanto mais tempo cá passo, mais saudades sinto. nada substitui aquilo que temos em casa e por mais que eu própria não queira acreditar, é lá que devemos estar.
não quero ser mal interpretada. é bom sair da zona de conforto, saber arriscar e aproveitar oportunidades. seja para crescer, aprender ou só experimentar. mas qualquer coisa que eu faça daqui para a frente, nada me tira o dubai. o facto de eu estar aqui e de estar a tentar fazer coisas acontecerem. e principalmente estar aqui com o manel. estar a tentar fazer resultar uma coisa em que acredito. em que ambos acreditamos. por isso e muito mais, vale a pena aquilo que deixamos para trás. mas não se enganem. estar de volta é o melhor da vida e eu mal posso esperar por dia 6 em que aterro em lisboa.
não quero ser mal interpretada. é bom sair da zona de conforto, saber arriscar e aproveitar oportunidades. seja para crescer, aprender ou só experimentar. mas qualquer coisa que eu faça daqui para a frente, nada me tira o dubai. o facto de eu estar aqui e de estar a tentar fazer coisas acontecerem. e principalmente estar aqui com o manel. estar a tentar fazer resultar uma coisa em que acredito. em que ambos acreditamos. por isso e muito mais, vale a pena aquilo que deixamos para trás. mas não se enganem. estar de volta é o melhor da vida e eu mal posso esperar por dia 6 em que aterro em lisboa.
quarta-feira, 17 de outubro de 2012
uma coisa tão nossa
ontem foi dia de portugalidade aqui no dubai.
finalmente abriu um tão esperado restaurante que nos prometeu comida como a que casa da mãe. bacalhau, sardinhas, polvo, batatinha a murro, arroz de marisco, frango assado. uma boa parte daquilo que costumamos comer está no menu. e posso dizer-vos que, pela primeira vez desde que cá estou, me deliciei com as iguarias da minha terra. o polvo estava uma coisa divinal, o bacalhau com natas ainda melhor e a companhia fora de série. quero ir ao restaurante de tempo a tempo só para conseguir ter o gostinho do que é a comida do meu país. fotos não se tiraram tal não era a emoção de comer.
finalmente abriu um tão esperado restaurante que nos prometeu comida como a que casa da mãe. bacalhau, sardinhas, polvo, batatinha a murro, arroz de marisco, frango assado. uma boa parte daquilo que costumamos comer está no menu. e posso dizer-vos que, pela primeira vez desde que cá estou, me deliciei com as iguarias da minha terra. o polvo estava uma coisa divinal, o bacalhau com natas ainda melhor e a companhia fora de série. quero ir ao restaurante de tempo a tempo só para conseguir ter o gostinho do que é a comida do meu país. fotos não se tiraram tal não era a emoção de comer.
sábado, 1 de setembro de 2012
something like home #1
não é dito o suficiente o quanto temos de apreciar tudo aquilo que temos agora. agora é que interessa. não é o que vamos ter amanhã ou o que tivemos ontem. de que é que nos serve pensar no que foi ou no que será? estou para aqui sempre a queixar-me do que faço e não passo tempo suficiente a falar do que tenho. a oportunidade de viver no dubai, com o meu namorado, ter a minha casa, as minhas coisas, compradas com o meu dinheiro, pagar as minhas contas, não ter de dar explicações sem ser a mim e ao manel. ainda há bocado fui correr na rua, à beira do meu apartamento, e o sol estava lindo, a linha dos edifícios estava numa espécie de fade out, algo naquele momento me soube a casa. pela primeira vez nestes sete meses, e finalmente, apetece-me muito estar aqui.
Subscrever:
Comentários (Atom)

